quinta-feira, 26 de março de 2015

Equipe da Seplan de Uberaba se reúne com Jaime Lerner para melhorar BRT

26/03/2015 - Jornal da Manhã - Uberaba


Em busca de soluções urbanísticas para a cidade, comitiva da Secretaria de Planejamento realizou visita técnica a Curitiba na semana passada. A equipe aproveitou a viagem para se reunir com o arquiteto Jaime Lerner, idealizador do projeto de sistema de transporte coletivo implantado em Uberaba.

Retornando da viagem, a subsecretária Maria Paula Meneghello conta que foi possível trocar experiências sobre a fase inicial de implantação do BRT com o projetista e também levantar ideias para aprimorar o planejamento local. "A conversa com o Jaime Lerner favoreceu a abertura de diretrizes para atuar no município, melhorando a lei de uso e ocupação do solo", adianta.

Meneghello destaca ainda que a visita permitiu à equipe vivenciar o funcionamento do BRT em Curitiba e conhecer as outras soluções implantadas na capital do Paraná. "Percebemos que o BRT é só uma das soluções que a cidade tem a oferecer. Quando o sistema começou a funcionar em Curitiba, a cidade tinha 300 mil habitantes. À medida que a população foi crescendo, a rede foi se expandindo e foram criados novos mecanismos", pondera.

Além dos projetos na área de trânsito e transporte coletivo, a subsecretária afirma que foram observadas intervenções de planejamento urbano, como os parques verdes e as soluções de macrodrenagem.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Uberaba: Estações tubo do calçadão devem estar ampliadas até abril

19/03/2015 - Jornal da Manhã - Uberaba/MG

Principal reclamação no primeiro mês de funcionamento do BRT, as estações tubo próximo ao calçadão da rua Artur Machado já estão sendo ampliadas. O trabalho deverá estar concluído até o início do próximo mês, conforme a subsecretária municipal de Planejamento, Maria Paula Meneghello. Durante a adequação, os dois pontos estão funcionando normalmente para embarque e desembarque.

Além disso, Maria Paula conta que a Prefeitura está em andamento com a compra de cadeiras, lixeiras e do piso tátil para melhorar a estrutura dos terminais de integração. Segundo ela, a instalação dos itens depende da disponibilidade do fornecedor, mas todo empenho está sendo feito para realizar os ajustes até maio. A subsecretária pondera também que as adaptações necessárias no sistema semafórico foram finalizadas e equipe local já está treinada para monitorar o tráfego para realizar alterações na programação dos sinais quando for preciso.

No fim de fevereiro, o prefeito Paulo Piau (PMDB) avaliou negativamente início das operações do sistema Vetor/BRT e também cobrou providências das empresas de transporte coletivo para melhorar o funcionamento. Um documento foi elaborado com as pendências referentes a cada uma das partes e as ações que precisam ser desenvolvidas até maio, quando termina o prazo de operação experimental da primeira etapa do BRT.

 

terça-feira, 10 de março de 2015

BRT é o sistema mais barato

09/03/2015 - O Tempo - BH

No fim do mês, andar de Move – nome dado ao BRT da capital – pode sair até 145% mais barato para o belo-horizontino. Ao usar três tipos diferentes de transporte – o sistema, carro e metrô – no mesmo percurso, entre o bairro Conjunto Paulo VI, na região Nordeste da cidade, e o centro, com o respectivo retorno, a reportagem de O TEMPO verificou que o Move foi o que teve o menor custo – R$ 6,20, já considerando o valor da linha alimentadora, o que resulta em R$ 136,40 a cada 22 dias úteis. Fazer o trajeto de carro custou R$ 15,18, R$ 333,96 por mês. O gasto mensal com metrô, que custa R$ 8 por dia, seria de R$ 176.

Mesmo com a necessidade de baldeação, os usuários do Move não tiveram o orçamento alterado. Como o sistema foi desmembrado até as estações de integração, caiu o valor das antigas linhas – as atuais alimentadoras. "O preço é o mesmo de antes. Pago R$ 3,10 e agora posso acessar outros lugares", disse a monitora de informática Ana Bárbara de Oliveira, 24.

Embora seja mais barata que o automóvel, a opção do metrô onera mais o usuário que o Move, porque não há desconto para a integração. "O trajeto (de metrô e de Move) é praticamente o mesmo. Mas, com a integração, prefiro ir de Move, que é mais barato. De metrô eu pago a alimentadora mais o bilhete integral", avalia a auxiliar administrativa Edvânia Silveira, 27.

Para estimar o custo do transporte com carro, a reportagem levou em consideração a potência do motor, que era 1.8, e o combustível usado, o álcool. A média total de consumo foi de 5 km/litro.

Velocidades. De Move e de metrô, o tempo de viagem foi o mesmo – uma hora e 21 minutos. No entanto, o Move foi o que apresentou a maior média de velocidade. A diferença entre os dois meios de transporte está na distância percorrida – enquanto o Move anda 9,5 km em 22 minutos, o metrô percorreu 6,5 km em 20 minutos, uma diferença de 6 km/h.

Mesmo com o ganho de tempo pela pista exclusiva, o uso de linhas alimentadoras e os gargalos no centro deixam o trajeto cansativo para boa parte dos usuários. Antes do Move, as pessoas embarcavam em um coletivo em seu bairro e seguiam direto até o centro. Hoje, é necessário trocar de veículo, demandando tempo e gerando desgaste. Além disso, ao chegarem ao centro, algumas pessoas ainda precisam terminar seus percursos a pé ou usando nova linha.

É o caso da cozinheira Ana Maria Pereira Souza, 31, que usa o Move, mas precisa completar o trajeto com um ônibus até o bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul, onde trabalha. "A gente realmente ganha tempo com a faixa exclusiva. Mas no centro tem que pegar outro ônibus, e, no fim da viagem, a vantagem é pequena"

Tempo gasto até a estação de integração é desafio do Move

Um ano após a implantação do Move em Belo Horizonte, o uso do sistema ainda não é vantajoso o suficiente para convencer o motorista a deixar o carro na garagem. Andar de veículo particular na capital acaba sendo mais rápido nos deslocamentos até o centro, mesmo com velocidade média inferior à do transporte coletivo nos principais corredores. No segundo dia da série sobre o aniversário do Move, a reportagem de O TEMPO percorreu um mesmo trajeto usando três modais metrô, carro e Move para comparar velocidade, conforto e custo e constatou que, depois dos automóveis, o novo sistema tornou-se o preferido dos usuários.

Os trajetos feitos por transporte público começaram com a linha alimentadora 815 (Estação São Gabriel/Conjunto Paulo VI) e se distinguiram ao chegar à estação São Gabriel, na região Nordeste uma equipe seguiu até o centro na linha do Move 83D, e a outra, pelo metrô.

O percurso teve início às 7h19 da última segunda-feira, no bairro Conjunto Paulo VI, na região Nordeste. As três equipes partiram ao mesmo tempo, com destino à praça Sete, no centro. Os deslocamentos com o Move e o metrô levaram o mesmo tempo: uma hora e 21 minutos, enquanto de carro a viagem durou 58 minutos.

"Após a inauguração do Move, eu uso o metrô apenas quando vou para locais fora do centro. O Move faz em 20 minutos um trajeto que dura cerca de 45 minutos usando o metrô", revela o vendedor Keona Douglas, 24.

De fato, o deslocamento com o Move é ágil, principalmente no corredor exclusivo. A reportagem gastou 22 minutos entre o bairro São Gabriel e a avenida Paraná. Além disso, no caso da linha 83D, os usuários não precisavam esperar muito para embarcar. No entanto, mesmo com a ampla oferta de veículos, os ônibus da linha ainda trafegam cheios no horário de pico, e usuários enfrentam tumultos no embarque.

A situação foi vivenciada pela reportagem, que, após enfrentar longa fila na compra dos bilhetes, se deparou com grande aglomeração de pessoas tentando embarcar. O tumulto foi tanto que a equipe acabou empurrada para dentro do veículo.

Na balança, o resultado divide a opinião dos usuários, que estão satisfeitos com o ganho de tempo, mas reclamam das dificuldades durante a baldeação. "O sistema é positivo na rapidez. Mas negativo porque há tumulto na hora de entrar no Move. É mais uma questão de educação das pessoas", diz a doméstica Gleice Mara Bernardes, 34. Antes da implantação do sistema, ela gastava duas horas do bairro Capitão Eduardo, na região Nordeste, até o centro, e agora faz o trajeto em uma hora e meia. "Mesmo tendo que mudar de ônibus, ganho tempo", comemora.

Desafio. A linha alimentadora, assim como para quem usa o metrô, continua sendo o principal desafio do Move. Quase metade do tempo gasto nas duas viagens de transporte coletivo feitas pela reportagem foi no trajeto até a estação de integração.

Porém, com a rapidez do Move, muitos usuários parecem ter abandonado o metrô. A maioria dos passageiros do sistema vai para outras partes da cidade, e não mais para o centro. Ainda assim, o trajeto mais cheio vivenciado pela equipe que trafegou sobre trilhos foi da estação José Cândido da Silveira à estação Central. Não houve tumulto no embarque, e o único desconforto foi a lotação dos vagões.

Já no trajeto de carro, conforto e rapidez são diferenciais. O usuário não perde tempo em longas filas e baldeações, porém o congestionamento é inevitável nos principais corredores. A imprudência de alguns motoristas, aliada ao tráfego intenso, causa estresse em condutores. O ziguezague dos motoqueiros entre os automóveis incomoda e aumenta a tensão para quem está dentro dos veículos.

Ainda assim, o tempo gasto pela reportagem no carro foi quase 30% menor em relação ao dispensado no transporte coletivo.

De Move

Usando linha alimentadora em ônibus convencional e Move, a reportagem levou uma hora e 21 minutos nos 21,5 km do trajeto. Na primeira etapa, foram 37 minutos na linha alimentadora 815 (Estação São Gabriel/Conjunto Paulo VI), à velocidade média de 14,5 km/h. Do desembarque até o embarque no Move, foram nove minutos, três deles na fila para adquirir o bilhete de integração. Já o trajeto na linha 83D (Estação São Gabriel/centro-Direta), passando pelo corredor exclusivo da avenida Cristiano Machado e pela avenida Paraná, demandou 22 minutos, à velocidade média de 25,9 km/h. Foram mais 13 minutos até a praça Sete. Em abril de 2014, O TEMPO gastou uma hora e 11 minutos para fazer o mesmo percurso.

De metrô

O trajeto percorrido de metrô e linha alimentadora foi o mais demorado relativamente, já que a equipe gastou uma hora e 21 minutos, mesmo tempo que o Move demandou, mas percorreu 16,5 km, 5 km a menos que o BRT.Entre o bairro Conjunto Paulo VI e a estação São Gabriel, o percurso foi feito por ônibus convencional (linha 815) e durou 37 minutos, com velocidade média de 14,5 km/h. Foram gastos 12 minutos entre desembarque e entrada no vagão do metrô, na estação São Gabriel. Para chegar ao terminal Central, o metrô demorou 20 minutos, o que resulta em velocidade média de 19,2 km/h. No centro, foi preciso caminhar por cerca de 12 minutos até a praça Sete, à velocidade de 4,5 km/h.

De carro

O mesmo itinerário realizado em um Fiat Idea demorou 58 minutos. A velocidade média durante toda a viagem foi de 16,5 km/h. Em alguns pontos do trajeto, o carro chegou a ficar parado, como próximo à estação São Gabriel. Na altura do bairro Cidade Nova, na região Nordeste, o tráfego ficou intenso. Mesmo com o semáforo verde, o automóvel demorou a sair do lugar. Nos momentos de maiores congestionamentos, a velocidade média variou entre 8 km/h e 10 km/h. Na chegada ao centro, no cruzamento entre a rua São Paulo e a rua dos Caetés, a situação se agravou com a presença de ônibus trafegando na faixa da esquerda. O restante do percurso até a praça Sete transcorreu sem retenções.

domingo, 8 de março de 2015

Novas alterações serão implantadas no Vetor/BRT Uberaba

06/03/2015 - Jornal da Manhã - Uberaba/MG

Novas alterações serão realizadas em linhas do transporte coletivo para aprimoramento do sistema Vetor/BRT. Nesta semana, no dia 2 de março, completou-se um mês em que entrou em operação o sistema em caráter experimental e vários ajustes foram realizados. No sábado (7), mais adequações serão promovidas, com a inserção de novos veículos para algumas linhas em horários de pico e mudanças no itinerário.

Segundo o superintendente de Transporte Coletivo, Claudinei Nunes, com os ajustes realizados a partir de reivindicações dos usuários, já foi possível perceber melhoria no sistema. "Os primeiros dias de fato foram mais problemáticos, muitos usuários confusos com relação aos horários e linhas, e agora estamos na fase de sedimentação, isto é, deixar o sistema funcionar com estes quadros de horários, realizando pequenos ajustes", explica.

Quanto aos ajustes que serão promovidos neste sábado, de acordo com Claudinei, haverá mudanças nas linhas Circulares. Serão suprimidos alguns trechos, e as Circulares 1 e 2 passarão a seguir o traçado dos antigos Circulares 3 e 4. Foram feitas pesquisas nestas linhas e percebeu-se a necessidade de voltar esse itinerário. Será criada também uma linha com o antigo traçado da linha 17, que circula no bairro Santa Maria, na região da avenida Santa Beatriz, por onde a linha Circular não passa. Agora vai sair do terminal Oeste, seguir na avenida Santos Dumont, bairro Santa Maria, até a Uniube. Enfim, volta a funcionar a linha 17 com algumas adequações.

"Percebemos também a necessidade de incluir mais carros em algumas linhas nos horários de pico. Na linha 25, que atende ao bairro Jardim Copacabana, vamos colocar mais veículos. Na linha do bairro Valim de Melo, inclusive esta semana já fizemos uma inclusão e serão feitas mais. Para o bairro Vila Militar também vamos colocar mais um ônibus. Estava circulando um micro-ônibus, mas vamos trocar para o veículo convencional", explica o superintendente de Transporte Coletivo.

Para finalizar, Claudinei, informa ainda que será trocado o tamanho do veículo da linha Interbairros, que segue até os bairros Jardim Primavera e Uberaba 1 e Elza Amui. De acordo com ele, houve mudanças que, inclusive, estão dando certo, mas já percebeu que no horário da 6h40 o ônibus está saindo do terminal Leste, sentido Abadia-Rodoviária, lotado. Por isso haverá a troca do veículo, para um com maior capacidade, e se mesmo assim não atender às necessidades, haverá a inclusão de carro extra nessa faixa de horário.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Pesquisa aponta que pelo menos 25 mil pessoas trocam carros pelo Move

05/03/2015 - Estado de Minas

Pelo menos 25 mil pessoas trocaram os carros para usar o Move/BRT (bus rapid transit - transporte rápido por ônibus) em Belo Horizonte. A informação é do prefeito Marcio Lacerda, que teve como base pesquisa encomendada pela prefeitura. O estudo, segundo o prefeito, aponta ainda que o novo sistema de transporte atende diariamente 500 mil pessoas, 127% a mais que o metrô, que, de acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), atende 220 mil passageiros/dia. Os números da pesquisa são um raio-x do Move, que no domingo completa um ano.

"Fizemos a maior revolução em termos de transporte coletivo na história de Belo Horizonte. O metrô transporta, 200 e poucos mil passageiros/dia. O Move está transportando 500 mil em condições de conforto, segurança e rapidez, com grandes avanços. Retiramos dos horários de pico quase 800 viagens de ônibus convencionais, que atravancavam o trânsito, tanto nas avenidas, quanto no Centro da cidade", comemorou Lacerda. Ele lembrou também que o BRT do Rio de Janeiro, que tem extensão maior do que o de BH, transporta 400 mil passageiros/dia. "Na pesquisa que fizemos, com base estatística, entre os usuários, o índice de aprovação é muito elevado, próximo de 80%", completou.

Mas Lacerda admite a necessidade de ajustes. "Problemas, temos. São problemas que geram necessidade de ajustes em estações. A estação Pampulha, por exemplo, ainda tem acabamentos que precisam ser feitos. Vamos projetar escadas rolantes na estação São Gabriel; existe lá um certo gargalo. E estamos projetando a expansão do Move para a Avenida Amazonas, Tereza Cristina, vetor Oeste da cidade", pontuou.

Em relação à segurança, Lacerda reafirmou que negocia com o governo estadual o aproveitamento de policiais militares aposentados, com salários pagos pela PBH. "Vamos entregar ao governador e ao comando da PM nossa demanda, já que duas licitações que fizemos de vigilância privada geraram briga entre licitantes, recursos à Justiça, e não podemos esperar; isso pode levar muito tempo", afirmou.

quarta-feira, 4 de março de 2015

BRT/Move nas avenidas Pedro II e Amazonas deve ser implantado até o fim de 2016

04/03/2015 - Estado de Minas

Depois de mudar a rotina do transporte nas regiões de Venda Nova, Pampulha e Nordeste, as próximas rotas do BRT/Move em Belo Horizonte traçam viagens para o Barreiro, Oeste e Noroeste da capital. O principal vetor de expansão do sistema implantado há um ano, que usa faixas exclusivas para circulação e pagamento de passagens antes do embarque, é conhecido como Expresso Amazonas, tendo como referência o corredor de mesmo nome, com custo estimado de R$ 149 milhões. O plano prevê dotar principalmente as avenidas Amazonas e Tereza Cristina de estrutura suficiente para o trânsito dos ônibus articulados até as duas estações de integração que já existem no Barreiro (Diamante e Barreiro) e também até Contagem, na Grande BH. Já a construção da Estação de Integração São José, no Bairro Jardim Montanhês, Noroeste da capital, vai garantir o terminal que é fudamental para o funcionamento do BRT na Avenida Pedro II, atendendo a população de 14 bairros das regiões Noroeste e Pampulha. A expectativa da BHTrans é de que os dois projetos sejam implantados até o fim do ano que vem. Ainda existe a possibilidade de implantação do BRT em toda a extensão do Anel Rodoviário, mas essa expansão depende do andamento das obras de requalificação da rodovia.

As intervenções para viabilizar tanto o Expresso Amazonas quanto a Estação São José significam investimentos em um "BRT light", com uma configuração bem mais econômica do que a implantada nas avenidas Paraná, Santos Dumont, Antônio Carlos, Pedro I e Cristiano Machado. No chamado Expresso Amazonas, a concepção básica prevê 41 quilômetros de faixas exclusivas em 10 corredores, além de reformas nas estações do Barreiro e construção de outro terminal na Região Oeste, com o intuito de operar em conjunto com uma das estações da futura Linha 2 do metrô de BH. Do custo estimado de R$ 149 milhões, R$ 141,55 milhões vêm de financiamento do governo federal, enquanto a PBH dará R$ 7,45 milhões de contrapartida. Segundo a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), a previsão de assinatura desses contratos é para o segundo semestre, quando terão início as licitações para contratação dos projetos. Os recursos serão liberados à medida que os contratos forem assinados e for ocorrendo a contratação de projetos e de obras. Não há, portanto, previsão para início das intervenções, conforme a Sudecap.

O procedimento mais adiantado na expansão do sistema se refere ao BRT na Avenida Pedro II. A via não conta com corredores separados para o transporte coletivo, como ocorre na Antônio Carlos e Cristiano Machado, embora tenha faixas exclusivas demarcadas do Centro de BH até o Anel Rodoviário, por onde já circula uma das linhas do Move. Com a construção da Estação São José, a BHTrans pretende implantar mais quatro linhas, sendo uma direta ao Centro, uma até os hospitais, outra até o Bairro Padre Eustáquio, atendendo também o Bairro Alípio de Melo, ambos na Região Noroeste, e a última até a Avenida Afonso Pena. As obras estão orçadas em R$ 59,6 milhões, sendo R$ 22 milhões da PBH e o restante já autorizado pelo governo federal. Segundo Sudecap, o projeto executivo está em fase final de conclusão e a previsão para publicar o edital das obras é até 30 de junho.

Com a expansão do BRT/Move, a BHTrans informa que mais linhas terão função tronco-alimentadoras, que consiste em ligações com terminais de transbordo e conexão, prometendo interação entre o Centro e as estações, ampliação de passageiros atendidos e maior oferta de horários, com a racionalização do sistema. De acordo com a empresa, essa lógica começou a ser implantada em 1997, com as estações BHBus Diamante, Barreiro e Vilarinho, que concentravam 25% das linhas circulantes na capital mineira. Com essa primeira etapa de implantação do BRT/Move, o percentual dobrou, chegando a 50%. A expectativa da BHTrans é atingir até 70% com a expansão prevista até o ano que vem. "Não é possível chegar a 100%, porque há funções importantes preenchidas por ônibus de linhas diametrais (que ligam um ou mais bairros, passando pelo Centro e com dois pontos finais distintos) e os circulares (percurso baseado na abrangência da Avenida do Contorno)", informou o diretor de Transporte Público da empresa municipal, Daniel Marx.

Entrevista

'Atendemos ao propósito de rapidez e conforto'

Em entrevista ao Estado de Minas, o diretor de Transporte Público da BHTrans, Daniel Marx, afirma que ainda faltam ajustes para que o BRT/Move reduza o tempo de espera nas estações e supere o vandalismo, mas considera que a proposta inicial de racionalização, redução de tempo de viagem e ganho em conforto tenha sido atingida depois de um ano de funcionamento.

O BRT/Move pode ser considerado um sucesso?

Concluímos e atendemos o propósito de mais rapidez e conforto, que eram aspectos de que a maioria dos usuários reclamavam. Com faixas exclusivas, embarques mais rápidos, ar-condicionado e outros fatores, trouxemos melhorias para a maioria. Mas outras estão sendo implementadas, pois um sistema de 500 mil usuários por dia sempre requer adequações. Precisamos de adequar as estações contra o vandalismo e os rotores das estações centrais precisaram ser redimensionados. Criamos uma linha não prevista, como a 85 por necessidade dos passageiros. Também reduzimos intervalos em linhas que se tornaram muito carregadas, como a 50.

O sistema melhorou o trânsito da cidade?

Sim. Chegamos a remover até 95% das linhas de ônibus em certos trechos da Avenida Antônio Carlos, e isso melhorou a fluidez. Onde o tráfego é misto (fora dos corredores do Move), a velocidade média do tráfego em horário de pico subiu de 6 a 7 km/h para acima de 15 km/h, de forma geral.

Mas muita gente ainda reclama da demora das linhas alimentadoras nas estações de integração. Isso será sanado?

Já fizemos alterações que melhoraram essa espera. Alteramos o percurso, principalmente na aproximação das estações. Havia linhas alimentadoras que chegavam à porta do terminal e levavam até 10 minutos para entrar, fazendo muita gente descer antes. Fizemos mudanças de engenharia para um acesso mais direto à estação. Sobre a demora, aumentamos o número de ônibus nas linhas carregadas e vamos instalar painéis de informações. Pesquisas mostram que muitas pessoas ficam 10 minutos esperando, mas como não têm noção de horário e de tempo para chegada do ônibus, acham que gastaram até 30 minutos.

E quanto à depredação, ao mau funcionamento de portas e à falta de equipamentos de incêndio?

Os ônibus das estações centrais já contam com um sistema de acionamento que permite que as portas sejam abertas quando o veículo para. Os botões de acionamento de emergência eram usados para invasões e acesso irregular. Agora, ficam acionados apenas enquanto pressionandos. Essas mudanças devem terminar em 70 dias. A falta dos extintores e outros problemas com o vandalismo demandam mais tempo. Estamos revendo a segurança. Vamos contratar vigilantes para as estações mais atacadas, sobretudo para o período noturno.

Maior terminal do BRT da capital abriga milhares de histórias que se cruzam a cada dia

Durante um dia e uma noite, o EM registrou a diversidade na Estação São Gabriel

O movimento dos ônibus atesta o ponto de chegadas e partidas. Mas não é só. Estações do BRT/Move, como a São Gabriel, mais do que uma estrutura de transporte público abrigam um mundo de histórias. No bairro da Região Nordeste de Belo Horizonte, o maior terminal do sistema é vivo e, ao longo de 24 horas, ganha diferentes feições, com os quase 70 mil passageiros que circulam por lá diariamente. O Estado de Minas acompanhou esse vai e vem: um dia e uma noite na estação que desde 8 de março é ponto obrigatório para quem usa coletivos na capital. Como bem escreveu Milton Nascimento em Encontros e Despedidas, a plataforma é a vida daquele lugar.

O dia começa cedo para quem às 6h já está na estação – de onde partem a cada dia 37 linhas municipais – pronto para ir ao trabalho, à escola ou a outro compromisso nas primeiras horas. Nas catracas, nas escadas, nas plataformas, nos ônibus que partem, muita gente com o passo apressado se ajeita. Mas, em meio ao frenesi, há espaço para o afeto. As amigas Daniele Sarah Oliveira e Isabela Maria de Matos, ambas de 15 anos, não se encontravam desde dezembro do ano passado. Ao passar pela catraca, se abraçam para matar a saudade. Na mochila, o material escolar e no fone de ouvido as músicas prediletas. As duas são vizinhos de bairro, mas todos os dias pegam o BRT/Move para estudar. "Meu bairro não tem escola de ensino médio", conta Daniele. Mesmo acordando bem cedo, a jovem encontra tempo para se maquiar e garante que passar o delineador, o pó, sombra e batom não leva mais que 10 minutos.

Com tantos rostos diferentes há quem se destaque, como o aposentado João Capistrano Rosa, de 75. Na bolsa debaixo do braço, leva o amigo fiel de todas as horas. Billy não se assusta com tanta gente que passa – vestido de verde-amarelo, o pinscher transportado a tiracolo nem late. Talvez por isso embarque sem problemas. Morador do Bairro Nazaré, usa o Move para ir ao Centro, onde vende laranjas. Com seu fiel escudeiro, já é conhecido de outros passageiros. Antes de seguir viagem, João costuma protestar diante dos que não embarcam mesmo quando ainda há espaço no coletivo. "O ônibus vai vazio. É um monte de menino novo, que não dá lugar nem se a pessoa tiver 200 anos. Ninguém pode obrigar ninguém a entrar, mas o ônibus não é para 45 pessoas em pé e 45 sentadas? Falta uma mente boa. São só 15 minutos, é direto. A pessoa segura e já apeou."

Mas alguns têm mais dificuldade entre o subir e o "apear". Entre os milhares de passageiros, há quem dependa dos elevadores para chegar às plataformas, como a aposentada Maria Rita Santos Vieira, de 56, que anda com auxílio de muletas. Preço das duas próteses no fêmur, depois de sessões de radioterapia e de uma osteoporose. Com ajuda do marido Sílvio Antônio Vieira, de 59, ela passa pela estação lembrando quando tudo começou: o romance iniciado quando a mãe dela a deixou ir à missa em Rubim, no Vale do Jequitinhonha. "Nós nos conhecemos em uma pracinha, depois da igreja. Foi complicado, pois minha mãe não aceitava." Ela tinha 12 anos e ele, 14. Dificuldades superadas, o destino os levou até São Gabriel. O destino e a promessa de que, da adolescência em diante, iriam sustentar um ao outro vida afora.

Como os deles, os milhares de rostos, tipos e histórias fazem da estação meio de locomoção e ponto de diversidade. Se de manhã as pessoas estão apressadas, à noite o tempo parece passar mais devagar. Embora o movimento não cesse, o frenesi se reduz. É o tempo de gente como o pintor Elenilson de Oliveira Novais, de 21. Terno cinza abotoado, camisa branca e gravata vermelha compõem o visual para visitar pela primeira vez a igreja no Bairro Paulo VI. Como mora em Contagem atravessou a capital para ir à Estação São Gabriel, de onde seguiria para seu destino.

EXPECTATIVAS E DECEPÇÕES

Principalmente a essa hora, na falta de lojas ou lanchonetes, vendedores ambulantes são a salvação para quem tem fome. Desde que chegou, às 20h, Jobi Ferreira do Nascimento contabilizou a venda de 60 pacotes de salgadinhos. Diz não se preocupar com a fiscalização. "Tenho contas para pagar. Hoje vendi tudo, graças a Deus", afirma. Já são quase 22h quando chega a atendente Cristiane Nascimento, de 29. É um dia diferente. O uniforme de trabalho está guardado na bolsa. Sapato de salto, blusa de seda estampada e uma briga com o marido – tudo para assistir ao filme 50 Tons de Cinza com as amigas. De volta da sessão, não parece certa de que a empreitada valeu a pena. "Esperava mais. Como li os três livros, queria mais detalhes. O filme só traz a história de um dos livros." Resta esperar pelo ônibus.

Mas nem só de idas e vindas, expectativas e decepções se faz o cotidiano do maior terminal do BRT. No fim do dia, um susto: uma funcionária da Transfácil, de 23 anos, é socorrida às pressas pelos atendentes do Samu. Diante da suspeita de um AVC, o serviço foi solicitado pela Guarda Municipal, passados mais de 30 minutos dos primeiros sintomas. Tanto seguranças como guardas se queixam de que o supervisor da estação postergou o pedido de ajuda. Depois de um primeiro atendimento, a jovem caminha até a ambulância e segue até o hospital. Mais uma partida, esta fora da rotina, que como tantas outras deixa nos que ficaram a curiosidade sobre tantos destinos que partem de São Gabriel.

SONHOS

Barulho de ônibus chegando e sando compõe a sonoridade da estação. É preciso tempo para apurar os ouvidos para sons mais sutis, como o dos passos. Mais tempo ainda para perceber o que vai pela mente de quem passa pela estação ou trabalha por lá.

Enquanto libera a passagem para quem vai aos sanitários, o pensamento da controladora de acesso Maria Araujo, de 47, viaja longe. Mais precisamente até os dois filhos. Liniquer, de 28, é gerente de restaurante em Guarapari, no Espírito Santo. Wadson, de 24, joga de zagueiro no Grêmio de Anápolis, em Goiás. "Um empresário o tirou do caminho. Levou o Wadson duas vezes para Alemanha e uma para a Polônia. Ele jogava na base do Cruzeiro. Lá fora, não conseguiu negociar o passe", diz, sobre o mais novo. Divorciada há 18 anos, ela se orgulha de ter educado os meninos com seu trabalho. "Não sonho com muito, sonho com o necessário. Se fosse preciso fazer tudo de novo, eu faria." Nas 12 horas que passa sentada em frente aos banheiros da estação, ela não tira o sorriso do rosto. É atenciosa com todos e confessa que facilita a vida de quem está apertado diante da fila para comprar ficha.

Confissões, aliás, estão espalhadas pela estação, mas só pra quem tem tempo e ouvidos para ouvir. No mezanino, Isaac Victor de Oliveira, de 15, e Arthur Henrique Maciel, de 13, suspiram e falam, em tom de segredo, o que os corações adolescentes mal conseguem esconder. O motivo da alegria foi a visão de Cindy Ellen, de 15. Embora morem no mesmo bairro, eles só se encontram na Estação São Gabriel. Quando ela volta do colégio, eles estão indo. "Todo dia a gente espera. Ela é linda demais", diz Arthur. A dupla ganha o dia quando passa pela garota pelas escadas e recebe um "Oi".

Também sonhadora, a estudante Jeane Martins, de 17, pensa em trocar as plataformas da estação pelas passarelas. De fato, ela chama a atenção pelo porte e pelas roupas. Ela revela que já fez testes em uma agência de modelos, foi aprovada, mas não teve dinheiro para o sonho. "O custo era muito alto e, na época, eu trabalhava como menor aprendiz. Não tinha como pagar." Por enquanto, desfila seu 1,71 metro, esguia, para pegar o Move e encontrar o namorado, Joaquim Gabriel, de 18. Mais um destino dos quase 70 mil que seguem seu caminho graças às encruzilhadas da maior estação do BRT da capital.