quarta-feira, 9 de abril de 2014

Move Metropolitano começa a funcionar no próximo dia 26

09/04/2014 - O Tempo - BH / Estado de Minas

Nos próximos dias 26 e 27, o transporte coletivo do entorno de Belo Horizonte começa a passar por uma grande transformação para a implantação do Move Metropolitano (nome dado ao BRT). O sistema vai funcionar em paralelo ao Move da capital e terá estações exclusivas, onde os usuários vindos dos bairros precisarão descer para embarcar em ônibus articulados rumo a outros pontos da capital.

Nessa primeira fase, a integração ocorrerá na antiga Estação São Gabriel, desativada após a inauguração do Move da capital. Ela receberá 31 linhas alimentadoras (que vem dos bairros, em substituição a 36 convencionais) de seis municípios e será ponto de partida de duas linhas troncais – pelos corredores exclusivos até o centro (400C direta, sem parar nas estações, e 401C paradora). Estão previstas também duas linhas para a Cidade Industrial, em Contagem: uma pela Via Expressa (405 R) e outra pela avenida Amazonas (406 R).

Da Estação São Gabriel em diante, os ônibus do BRT dividirão espaço com as linhas da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) nos corredores exclusivos para o sistema das avenidas Cristiano Machado, Paraná e Santos Dumont.

"Nossa expectativa é reduzir em cerca de 30 minutos o tempo de viagem e em 70% o número de ônibus (serão cerca de 700 a menos diariamente) da região metropolitana ao centro de Belo Horizonte", disse o subsecretário de Regulação de Transportes da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), Diogo Prosdocimi.

As primeiras 31 linhas alimentadoras integradas ao novo sistema virão de Caeté, Jaboticatubas, Nova União, Sabará, Santa Luzia e Taquaraçu de Minas. Cerca de 35 mil passageiros devem usar o sistema por dia nessa primeira etapa.

Prosdocimi explicou que essas linhas continuarão atendendo os usuários nos bairros. O que muda é o percurso das linhas, que não será mais até o centro de Belo Horizonte e terá como ponto final a Estação São Gabriel. No local, além das quatro novas linhas, os usuários poderão descer futuramente nas estações de transferência ao longo da Cristiano Machado e pegar uma linha que virá do terminal Vilarinho rumo à área hospitalar.

Sistema. A inauguração do Move Metropolitano na Estação São Gabriel faz parte de uma série de ampliações do sistema prevista para este ano. Ao todo, serão sete estações. Em maio, a Setop promete implantar, mesmo que em obras, cinco delas – na capital, em Vespasiano, Ribeirão das Neves e Santa Luzia. A última a ser inaugurada será a Tergip (a atual rodoviária da capital, que será transferida para uma nova sede no São Gabriel).

No fim da implantação, o Move Metropolitano deve contar com 288 ônibus: 115 articulados, 154 padrons mistos (com portas dos dois lados) e 19 padrons convencionais (com portas só do lado esquerdo). Eles terão ar-condicionado e outras tecnologias aos moldes do BRT da capital.

VLT Aeroporto

Estudo. A implantação do Veículo Leve sobre Trilhos, que ligará a capital ao aeroporto de Confins, está sendo discutida entre o Estado e as prefeituras envolvidas. O edital de licitação do Rodoanel Norte deverá ser publicado nas próximas semanas.

Saiba mais sobre o sistema

Investimentos. O Move Metropolitano é de responsabilidade do Estado. A construção dos terminais do BRT está custando aos cofres estaduais R$ 162 milhões. Estão sendo gastos outros R$ 30 milhões em intervenções viárias.

Improviso. A Setop promete inaugurar até o mês de maio cinco das sete estações do Move Metropolitano. Mas elas começam ainda na base do improviso. Na área hospitalar, na capital, a estação da avenida Bernardo Monteiro só deve ficar pronta em 2015. Até lá, os pontos de ônibus serão improvisados na avenida dos Andradas e na rua Ceará.

Rodoviária. No caso da nova rodoviária da capital, no bairro São Gabriel, na região Nordeste, enquanto ela não estiver pronta para receber o Move Metropolitano, os ônibus do sistema irão usar duas estações municipais (uma na avenida Paraná e outra na Santos Dumont).

Região. Os terminais São Benedito, em Santa Luzia, e Justinópolis, em Ribeirão das Neves, também só ficam prontos em 2015, mas começam a funcionar em estações metálicas móveis, improvisadas ao lado das obras.

Pistas exclusivas serão restritas

Assim como o da capital, o Move Metropolitano vai esbarrar em trajetos fora das pistas exclusivas. Tirando as avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Pedro I, Paraná e Santos Dumont, os ônibus do sistema vão circular em faixas mistas.

A Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) informou que estuda formas de melhorar o desempenho dos ônibus nesses trechos, por meio de obras viárias e faixas preferenciais. "Na avenida Brasília (em Santa Luzia), por exemplo, estamos propondo tratamentos, como vias preferenciais e até a necessidade de uma estação", declarou o subsecretário de Regulação de Transportes da Setop, Diogo Prosdocimi.

Ele ameniza o problema, no entanto, afirmando que onde há grandes congestionamentos haverá corredores exclusivos. "A dificuldade não é chegar até a Estação Vilarinho, mas é ir da Vilarinho para o centro", completou o subsecretário.

Novidades. De acordo com a Setop, quando o sistema estiver todo implantado, serão 14 linhas troncais, sendo dez para a área central e quatro para a área hospitalar. Haverá linhas circulando também pelas avenidas Civilização (Ribeirão das Neves), Vilarinho (Venda Nova) e Brasília, além da rua Padre Pedro Pinto (Venda Nova) e da rodovia MG–010.

A Setop adiantou também que algumas linhas terão como destino a alameda da Serra, em Nova Lima. As datas de inauguração das linhas, no entanto, não foram informadas. Outra expectativa é aumentar em 364% o número de linhas alimentadoras após o Move, passando de 39 linhas para 181.

Melhoria é urgente para passageiros

Duas horas para ir e duas horas para voltar. Esse é o tempo médio que a babá Dara Mendes, 26, gasta diariamente entre Sabará, na região metropolitana, onde mora, e seu trabalho, no bairro Mangabeiras, na região Centro-Sul da capital. Ela disse que a situação piorou ainda mais depois que a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) inaugurou o Move municipal. "O trânsito ficou ainda mais parado na Cristiano Machado, enquanto o corredor exclusivo do BRT fica vazio", reclamou.

Com a promessa de inauguração do Move Metropolitano no próximo dia 26, ela espera que o tempo de viagem diminua. "Se o ônibus pegar trânsito livre no corredor, será melhor. Pior do que está hoje, não tem como ficar", afirmou Dara. Para chegar ao trabalho às 8h, ela é obrigada a sair de casa às 6h. Na última segunda-feira, no entanto, a babá conta que ficou duas horas e 30 minutos dentro do ônibus na volta para casa.

Estado de Minas

BRT na Av. Cristiano Machado deve estar em pleno funcionamento até 3 de maio

Cronograma obtido pelo EM mostra que BHTrans pretende concluir implantação até o começo do próximo mês. Estação vilarinho deve estar integrada ao sistema BRT até dia 19

Depois de adiar as primeiras mudanças nas linhas, previstas inicialmente para 22 de março, a BHTrans deve encerrar no início de maio o cronograma de implantação das três fases do BRT/Move no corredor da Avenida Cristiano Machado, no Vetor Norte de Belo Horizonte. Além das seis novas linhas cujo início de operação foi antecipado ontem pelo Estado de Minas, planejamento completo obtido pela reportagem aponta a alteração no quadro de horários de outros cinco itinerários – incluindo as três linhas troncais já em operação na Estação São Gabriel (83D, 83P e 82) – a partir de sábado, quando entra em operação a primeira fase das alterações.

De acordo com o planejamento, 19 linhas novas substituirão 17 itinerários atuais. O princípio seguido é o da divisão dos atuais trajetos, otimizando a distribuição dos coletivos até o hipercentro de BH por meio da concentração de usuários nas linhas troncais, que percorrerão os corredores exclusivos do Move.

Coletivos de linhas diametrais que trafegam de um bairro a outro deixarão de existir, substituídos por linhas alimentadoras dos bairros até as estações São Gabriel e Vilarinho. O planejamento oficial indica que o terminal localizado em Venda Nova será integrado ao Move no próximo dia 19, com duas linhas.

O reforço do BRT começa no próximo sábado, mas com alterações ainda tímidas. Duas linhas vão entrar em operação e quatro serão reformuladas. Cinco outras terão mudanças nos quadros de horários e duas serão extintas. Os passos seguintes do cronograma dependem do andamento das obras, mas para o dia 19 deste mês está prevista a segunda fase das modificações, com três novas linhas e a substituição de cinco que trafegam pela Região Nordeste de BH. Em 3 de maio está programado para entrar em operação o restante do sistema, quando serão criadas 14 linhas e substituídas 10 que atendem moradores das regiões Noroeste, Oeste e Pampulha. Haverá ainda alteração nos quadros de horário, itinerários e na numeração de vários ônibus.

Exemplo da mudança é a implantação das linhas 815 (Estação São Gabriel/Conjunto Paulo VI) e 9850 (Estação São Gabriel/Estação José Cândido), a partir deste fim de semana. Serão extintas a 5508 (Aarão Reis via Minaslândia) e 5523A (Conjunto Paulo VI), que terá o itinerário substituído pela 815.

Novos itinerários e horários dos ônibus 66 (Estação Vilarinho/Hospitais) e 642 (Estação Vilarinho/Venda Nova) a partir do dia 19 são indicativo de que nessa data o Move poderá se deslocar para além da estação São Gabriel, embora, inicialmente, o corredor Venda Nova/Vilarinho esteja previsto para operar no mês que vem, de acordo com a BHTrans.

Também para o dia 19 têm início de circulação previsto as linhas 813 (Estação São Gabriel/Paulo VI via Ribeiro de Abreu), em substituição à atual 5506C; 814 (Estação São Gabriel/Jardim Vitória A), que substitui a 5502A; e 8151 (Estação São Gabriel/BH Shopping). Serão substituídas ainda 5502B (Capitão Eduardo), 5506B (Ribeiro de Abreu via Conjunto) e 5507A (Jardim Guanabara A).

O novo meio de transporte da capital mineira completou um mês esta semana com aprovação de passageiros, apesar das cobranças de melhorias e da necessidade de adequações. No corredor Cristiano Machado, os ônibus começaram a circular gradativamente. Atualmente, 23 articulados estão rodando, de um total de 192. Na Avenida Antônio Carlos, a expectativa é de que a Estação Pampulha entre em operação parcial ainda este mês. A BHTrans não antecipou a data de início do funcionamento do corredor, onde testes estão sendo feitos desde o mês passado.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Ampliação do BRT começa no sábado com novas operações na Av. Cristiano Machado

08/04/2014 - Estado de Minas

Um mês depois de inaugurar o Move em Belo Horizonte, a BHTrans vai começar a ampliação do sistema de transporte rápido por ônibus (BRT, na sigla em inglês) no sábado. A empresa ainda não confirma oficialmente quais serão as novidades, mas fontes do setor operacional garantem que dia 12 as três linhas troncais que já operam na Estação São Gabriel ganham reforço de outra troncal, que parte do terminal e usa as pistas exclusivas de concreto da Cristiano Machado e do Centro, e cinco alimentadoras, que saem dos bairros em direção à estação. Em 30 dias de operação, as linhas já existentes foram aprovadas por passageiros, que relatam mais conforto e rapidez nas viagens. Os usuários, no entanto, cobram mais ônibus para reduzir o intervalo das saídas e a superlotação, percebida mesmo fora do horário de pico.


Inicialmente a BHTrans havia marcado a ampliação do Move para 22 de março, mas manteve o sistema sem alterações desde então. Na semana passada, o presidente Ramon Victor Cesar anunciou o início das mudanças, embora sem especificá-las. Em agosto de 2013, o Estado de Minas revelou o planejamento da empresa municipal para as novas linhas de todo o sistema. De acordo com a planilha, seis destinos ainda devem ser contemplados saindo da Estação São Gabriel e usando os corredores das avenidas Cristiano Machado, Santos Dumont e Paraná: Estação José Cândido da Silveira, BH Shopping, Avenida Presidente Carlos Luz e os bairros Alto dos Pinheiros (Noroeste), Vista Alegre (Oeste) e Lagoinha (Noroeste). Considerando o fluxo de passageiros dos bairros para a estação, o planejamento da empresa para o Move prevê 34 linhas alimentando o terminal do Bairro São Gabriel. Seis delas são novidade, duas serão adaptações de percursos que já existem e 26 mantêm os itinerários .  

Via assessoria de imprensa, a BHTrans se manifestou dizendo que vai anunciar as mudanças em momento oportuno, quando também fará um balanço do primeiro mês de funcionamento do sistema. A empresa informa que os 23 ônibus articulados que já operam nas três linhas existentes têm cumprido as viagens diretas da Estação São Gabriel até o Centro em 21 minutos no horário de pico da manhã, em média. A volta tem sido percorrida em 25 minutos, no mesmo horário. Quando o percurso é feito parando nas estações ao longo da Avenida Cristiano Machado, o tempo médio na ida sobe para 31 minutos no período de maior circulação da manhã. Já em direção à Savassi via área hospitalar, os coletivos articulados têm gasto 40 minutos até a Rua Professor Moraes. O tempo médio do retorno da Professor Moraes ao Bairro São Gabriel é de 27 minutos.

A Prefeitura de Belo Horizonte prevê que a Estação São Gabriel esteja totalmente concluída até o mês de maio, prazo final de implantação do Move. Ainda faltam ajustes em diversos pontos, que continuam em obras. A conclusão da cobertura é a maior intervenção pendente, mas ainda restam ajustes em pontos como as escadas rolantes, a sinalização e as grades de proteção. Ainda este mês começa a operação em fase de testes na Estação Pampulha, terminal imprescindível para o funcionamento do corredor Antônio Carlos. O testes nas estações Venda Nova e Vilarinho começam em maio, mês limite para que todo o sistema esteja implantado para funcionar em junho, durante a Copa do Mundo.

NAS GARAGENS

Dos 428 ônibus (192 articulados e 236 padrons) previstos para o BRT, 69 já foram emplacados pelos quatro consórcios operadores. Vinte e três coletivos já estão em operação nas linhas 83D (Estação São Gabriel/Centro direta), 83P (Estação São Gabriel/Centro paradora) e 82 (Estação São Gabriel/Savassi via hospitais). A frota do Move urbano já disponibilizada às empresas operadoras, entretanto, aumenta a cada dia e já supera os 90 coletivos, segundo levantamento do Estado de Minas.

Principal fornecedor de carrocerias, a gaúcha Marcopolo foi a que mais entregou novos ônibus até agora para as linhas da BHTrans – cerca de 30 coletivos –, seguida da Neobus, Comil e Caio, esta última com entregas de ônibus articulados iniciadas nos últimos dias. A Mascarello é a única das cinco fornecedoras das carrocerias que ainda não entregou ônibus do Move. Paralelamente, chegam às garagens os coletivos do novo sistema metropolitano.

BRT de BH completa um mês com boa aceitação, mas ainda precisa melhorar

08/04/2014 - Estado de Minas / Hoje em Dia-BH

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Há um mês, o terno diariamente usado em audiências, reuniões e encontros formais já não é mais levado no encosto do banco do passageiro do carro particular. Dobrado, o traje social é transportado em uma mochila discreta, que o promotor de Justiça Leonardo Barbabela, coordenador do Centro de Apoio às Promotorias de Defesa do Patrimônio Público (Caopp), carrega nas costas. Desde a inauguração do Move, que hoje comemora 30 dias, Barbabela passou a deixar o automóvel em casa, no Bairro Renascença (Região Nordeste), e seguir para o trabalho usando o novo sistema de transporte de Belo Horizonte. Depois de anos usando o carro para trabalhar, ele compara os dois modos de transporte: "Minha avaliação sobre o BRT é extremamente positiva". A opinião do promotor é comum entre passageiros que migraram dos ônibus convencionais para o novo sistema de transporte da capital. Entretanto, não são apenas elogios que marcam o primeiro mês de operação do Move. Todos os usuários entrevistados ontem pelo Estado de Minas fazem considerações importantes para a melhoria do modal, que teve inauguração conturbada em 8 de março, marcada por falhas e falta de informação.

No caso do promotor, a análise positiva se justifica pela economia com combustível, ganho em conforto e tempo. "Não troco o BRT pelo percurso de carro, mesmo se estivesse com motorista particular, que eventualmente uso para reuniões fora do MP. O trajeto de carro é muito caro, estressante e demorado", diz o promotor, que historicamente atua na vigilância da mobilidade na capital. Para completar o percurso até a sede do MP, no Bairro Santo Agostinho, Barbabela pega um táxi na Avenida Paraná, último ponto do BRT na Área Central. "Mesmo com esse gasto a mais, a despesa com transporte é R$ 200 menor. De carro, tinha um custo de R$ 540 mensal. Hoje, não passa de R$ 340", explica. Ele ainda faz outra comparação. "O tempo da ida para o trabalho caiu de 40 para 25 minutos. E, na volta, de uma hora e 10 minutos para 30 minutos, em média", afirma.

O promotor, no entanto, defende o acréscimo de ônibus ao quadro de viagens, para que os intervalos entre uma saída e outra sejam reduzidos. "O tempo entre as viagens pode ser menor. E outros corredores da cidade e também a região metropolitana devem ser atendidos pelo BRT."

A leitura positiva, com ressalvas, que o promotor faz dos 30 dias de operação do Move é comum entre passageiros do novo sistema. A análise está relacionada com o conforto dos ônibus articulados, automáticos e com ar condicionado das três linhas que saem da estação São Gabriel em direção ao Centro e à Região Hospitalar. Mas também há queixas a respeito de superlotação e desrespeito às prioridades dentro dos coletivos.

Os ônibus cheios vêm sendo observados mesmo fora do horário de pico, de acordo com o aposentado José Martins Laia, de 66 anos. "Já andei de BRT quatro vezes e em nenhuma delas consegui ir sentado, mesmo tendo prioridade nos assentos. Os ônibus estão sempre cheios. Além disso, falta fiscalização para que haja respeito com quem tem preferência", acredita José Martins, que ontem fez o percurso entre o Centro e a estação Minas Shopping em pé. Ele acredita que a superlotação seja resultado do baixo número de veículos. "Se houvesse mais ônibus nas linhas, poderíamos ter mais conforto. Não que o sistema seja ruim. Pelo contrário. Melhorou muito, pois os coletivos são mais confortáveis e modernos que os normais", conta o aposentado.

A comerciante Geralda Costa Silva, de 36, moradora do Bairro Jardim Belmonte, na Região Nordeste de Belo Horizonte, avalia que o novo sistema de transporte coletivo facilitou sua vida. Semanalmente, ela vai ao Centro para comprar suprimentos para sua sorveteria e pega o Move na Estação São Gabriel. Com mais sorte, ela diz que na maior parte das vezes consegue fazer o trajeto sentada. "O 808 (Estação São Gabriel/Paulo VI), linha que eu pegava antes, estava sempre cheio", afirma.

O conforto dos novos veículos articulados também facilitou a vida do motorista Ismael Valério Gomes, que há 18 anos trabalha em linhas de ônibus convencionais. Há um mês no BRT ele enumera os ganhos: "Os veículos são mais ágeis, têm mais tecnologia e são melhores de dirigir. A gente fica menos cansado ao fim do expediente", conta.

A estudante Samanta Paula de Oliveira Silva, de 17 anos, usa diariamente o BRT desde a inauguração. Ela também mora na Região Nordeste da capital, no Bairro Nazaré. De segunda à sexta-feira, pega a linha 83D (Estação São Gabriel/Centro) para chegar à Escola Estadual Olegário Maciel, no Centro, onde cursa o 3º ano do Ensino Médio. "Melhorou muito o meu percurso. Minha escola tem tolerância de 10 minutos para a entrada depois do horário e antes eu sempre chegava atrasada", conta.

Apesar disso, a jovem diz que é preciso resolver alguns problemas no sistema, como a falta de estrutura de algumas estações e de informação para os passageiros. "Outro dia uma mulher ficou gritando com o motorista porque ele não passou na Rua São Paulo. Ela não conhecia o novo trajeto. E em alguns veículos o ar-condicionado fica pingando água na gente ", reclama. Samanta também lembrou do possível aumento das passagens que, segundo ela, serão alguns centavos a mais que pesarão no orçamento.

PONTOS POSITIVOS

Rapidez e conforto

"O novo sistema é mais rápido e oferece maior comodidade, por serem veículos novos, automáticos e com ar-condicionado. Os outros ônibus são muito barulhentos" - Cibele Rodrigues, de 38 anos, contabilista

Fim do estresse para estacionar

"Normalmente uso o carro e percebi que o Move é uma boa alternativa para o dilema dos estacionamentos, com vagas cada vez mais raras e caras – algumas custando R$ 30 a diária. Está na hora de conduzir as pessoas de uma forma mais respeitável. Os outros coletivos são desumanos" - Graça Rodrigues, de 63, terapeuta holística

Acessibilidade

"Uso o transporte público todos os dias para ir à fisioterapia no Bairro Gameleira. Antes, pegava só os ônibus convencionais. Agora, divido o percurso com o BRT, que é mais confortável para cadeirantes." - Carlos Antônio F. de Souza, 51, cadeirante

PONTOS NEGATIVOS

Pouca praticidade

"É um sistema pouco prático. Vou ter que ir a uma cabine em outra rua para comprar os bilhetes. Além disso, no trajeto em que pegava apenas um ônibus, agora terei que pegar dois. Perde-se tempo com a baldeação" - Fábio Ferreira, de 34, engenheiro de produção

Falta de informação

"Ainda tem muita gente sem saber como embarcar, onde descer e quais são as linhas. Muitos andam nas pistas dos novos ônibus, que, inclusive, passam por aqui (na Avenida Santos Dumont) em alta velocidade" - Célio Gonçalves, de 48, segurança

Limitação de percurso

"As linhas inauguradas me deixam na metade do caminho. Trabalho no Sion e moro em Venda Nova. Mal posso esperar pela inauguração dos ônibus Move que circularão pela Avenida Antônio Carlos. Passo sete horas por dia, em média, fazendo os trajetos entre casa, trabalho, faculdade e a escolinha do meu filho" - Érica Souza, de 23, professora

Hoje em Dia - BH

Apesar da agilidade, Move faz um mês com desafios

O BRT/Move completa nesta terça-feira (8) um mês de funcionamento no transporte público de Belo Horizonte. Em meio a obras, o sistema garante mais agilidade e conforto para os passageiros. Porém, o sistema está longe de ser ideal, esbarrando em diversas falhas, como a falta de informação e segurança.

A BHTrans não informa quantos usuários foram transportados desde 8 de março, nem quando serão os próximos passos de implantação. Nenhum diretor da empresa foi colocado à disposição para prestar informações. Segundo a assessoria de imprensa, os dados serão repassados durante uma entrevista coletiva nesta semana.

NA PISTA

Uma série de problemas persiste, principalmente na Estação São Gabriel. O local ainda está em obras e o teto está inacabado. Não há assentos para quem aguarda os ônibus, as escadas rolantes estão desativadas e faltam até extintores de incêndio.

Outro problema é a pouca informação para o embarque, sendo necessário, a todo momento, o alerta dos ajudantes da BHTrans. Os painéis informando os horários também não existem. E alguns dos equipamentos nas estações de transferência das avenida Cristiano Machado e Santos Dumont apresentavam problemas.

A analista de sistema Natália Campos de Oliveira, de 23 anos, adotou o BRT/Move e elogia o sistema pela agilidade. Porém, a nutricionista Patrícia de Almeida, de 32 anos, critica a falta de informações. "Está mais rápido e confortável, mas o intervalo entre os ônibus deveria ser menor", disse.

O coordenador do departamento de trânsito e transporte da Fumec, Márcio Aguiar, criticou a falta de informação e disse que um mês é tempo suficiente para corrigir esse tipo de problema. "As obras estão atrasadas. A falta de informação deixa o usuário confuso. Além disso, os motoristas estão deixando um vão grande entre o veículo e as plataformas, criando risco de acidentes", alertou.

Desde 8 de março, três linhas operam com 22 ônibus articulados. Segundo o diretor de Transporte Público da BHTrans, Daniel Marx Couto, no anúncio do aumento da tarifa, na sexta-feira, novas 15 linhas, sendo três troncais, entrarão em operação na avenida Cristiano Machado a partir de 15 de abril.

A implantação total do sistema está prevista para até fim de maio, mas as primeiras linhas na avenida Antônio Carlos começam a operar ainda em abril.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Prazo para entrega de Vetor não é cumprido

06/04/2014 - Jornal de Uberaba - MG

O projeto Vetor, conhecido como Bus Rapid Transit (BRT), está previsto para ser entregue pelo prefeito Paulo Piau em julho deste ano, mas muitos ainda não acreditam que o governo municipal vai conseguir cumprir essa meta. Até porque, o vice-prefeito em exercício, Almir Silva, em visita às obras juntamente com o secretário de Infraestrutura, Roberto Indaiá, no dia 29 de janeiro, garantiu que a cobertura do terminal do vetor ficaria pronta no máximo em 40 dias. Já se passaram 67 dias e o terminal ainda está em fase de conclusão.

Outro entrave para entregar o BRT à população, segundo o prefeito reportou à reportagem do JORNAL DE UBERABA, era a falta de sinalização inteligente, porque ele não seria irresponsável de colocar um projeto em implantação que colocasse em risco a segurança dos usuários e da comunidade em geral. Piau explicou que os ônibus têm que passar pela avenida Leopoldino de Oliveira, de três em três minutos nos pontos, mas não existia um sistema semafórico inteligente, nem licitação para sua contratação, garantindo que a prefeitura já estava corrigindo essa deficiência e que as obras não estariam paradas.

O prefeito Paulo Piau já está no governo há quase um ano e meio, e o processo licitatório para a prefeitura adquirir o semáforo inteligente ainda está em andamento. Tanto é que, no jornal oficial do município Porta-Voz, foi publicado um edital de aviso de visitação do edital de concorrência nº 002/104, informando que todas as empresas que têm interesse em participar do certame deverão enviar um responsável técnico, devidamente credenciado, para uma visitação técnica durante os dias 15 e 16 de abril, a partir das 9h, com saída da prefeitura, sendo que os que descumprirem essa cláusula do edital estarão desclassificados.

Prefeitura – A reportagem do JU tentou entrar em contato com o secretário de Infraestrutura, Roberto Indaiá, para saber mais detalhes do cronograma das obras do BRT, mas não obteve êxito. Acionamos a Secretaria de Comunicação para alguns esclarecimentos e recebemos a informação de que as obras físicas estão em pleno andamento para conseguirem cumprir a meta do prefeito, acrescentando que não analisam o fato da cobertura dos terminais ainda não estar concluída, já que o ideal é que fique pronta quando for entregue todo o projeto. Observou ainda que as visitações tanto para a finalização das obras quanto de sinalização já foram colocadas na praça (licitados), o que significa que o projeto está em franco desenvolvimento pela prefeitura.