sábado, 13 de abril de 2013

Estação do BRT revela novo nome do transporte


13/04/2013 - Estado de Minas

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Estação de passageiros na Avenida Cristiano Machado, no Bairro União, é a primeira a ser concluída

Deslocar, movimentar, progredir, transferir ou mudar. Cinco significados em inglês, espanhol ou português para a mesma palavra: Move, usada internamente pela BHTrans para definir o sistema de Transporte Rápido por Ônibus – ou BRT, na sigla inglesa. O nome é muito usado em materiais publicitários e testes da empresa que organiza o layout e a identidade visual do sistema apontado como solução pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e pela Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) para o transporte público até a Copa de 2014. O nome Move consta, inclusive, nos painéis internos da única estação de transferência de passageiros que está pronta e instalada, na Avenida Cristiano Machado, altura do Bairro União, na Região Nordeste.

Fontes ligadas à BHTrans e à Setop confirmam que o nome BRT tem data marcada para ser substituído: assim que os ônibus começarem a ser testados, em meados de dezembro, já que a sigla atual não agradou ao plano de marketing preparado por agências especializadas. A BHTrans não confirma, mas também não nega que o nome final para o sistema seja Move, mas as mesmas fontes ouvidas pela reportagem garantem que o planejamento publicitário já foi finalizado e que agora está guardado a sete chaves, esperando para um anúncio oficial e com pompa.

A nova cara do BRT vai sendo mostrada aos poucos, dentro da própria Estação União, uma armação de metal, vidro e cimento à qual o Estado de Minas teve acesso. O espaço, ainda sem eletricidade e aparelhos eletrônicos, tem dois acessos principais para os usuários, uma rampa de embarque, que passa por bilheteria para compra de passagens, e catraca para o Cartão BHBus, e outra no lado oposto, por onde se desembarca para a rua. Cada lado da estação é dotado de quatro portas automáticas de vidro, sendo que metade delas é destinada à passagem de portadores de necessidades especiais. Dentro da estação há dois painéis. O primeiro, ao lado da bilheteria, destaca os ônibus que abastecem aquele ponto, os horários de funcionamento do sistema – que ainda serão definidos para garantir a integração ao metrô -, destaque para os passageiros que têm direito à gratuidade e o que é proibido fazer dentro dos ônibus, como por exemplo fumar e usar equipamentos sonoros com CD players.

No centro da estação, um mural destaca o primeiro mapa detalhado do BRT, já caracterizado como Move. Os três corredores de linhas segregadas são destacados na cor verde-limão, mesma pintura do exterior da estação. Constam entre ruas e referências como a UFMG e a Lagoa da Pampulha as linhas do Centro, Cristiano Machado e Antônio Carlos/Pedro I/Vilarinho. Foram demarcadas 40 estações ao longo dos traçados, sendo seis estações de integração (Santos Dumont/Paraná, Lagoinha, Pampulha, Vilarinho, Venda Nova e São Gabriel), onde se poderão deixar os ônibus de linhas que não utilizam corredores do BRT ou o metrô, para então acessar o novo sistema de transporte. Cada porta de acesso será identificada por um número, letra e o sentido do tráfego. Além disso, identificará as linhas.

Dois pontos chamam a atenção no novo mapa, o primeiro a mostrar com detalhes todos os corredores e estações previstas para o BRT. Um deles é a falta de integração por metrô à estação terminal do Centro, a Santos Dumont/Paraná. O usuário do metrô só chegará ao BRT, no Centro de BH, pela Estação Lagoinha.

A BHTrans informou que as questões de layout e marketing do BRT Horizonte estão "na fase final de elaboração do projeto de comunicação visual e de identidade do sistema, que inclui, além da marca, o manual de sinalização das estações de transferência e dos ônibus”. Quanto ao nome Move, que consta em várias peças, lá estaria "para efeito de testes”. A BHTRANS informou, ainda, que "não confirma que esse será, de fato, o nome a ser adotado. Tão logo essa fase de testes seja concluída, será lançada a licitação para contratação da empresa que cuidará da criação e instalação das peças.”

Novas Linhas

As placas de sinalização também adiantam a criação de novas linhas alimentadoras e troncais, distribuídas entre estações BHBus já existentes e a estação Pampulha, que vem sendo construída no cruzamento das Avenidas Pedro I e Portugal: como 68 (Estação Vilarinho/São Cristóvão), 5250 (Estação Pampulha/Betânia), 5450 (Estação Pampulha/N. Sra. da Glória). No corredor Cristiano Machado, aparecem ainda a linha 82 (Estação São Gabriel/Hospitais), 85 (Estação José Cândido/Centro), 8850 (Estação São Gabriel/Estação José Cândido), 8451 (Estação São Gabriel/Alto dos Pinheiros), 8551 (Estação São Gabriel/Carlos Luz) e 8850 (Estação José Cândido/Estação São Gabriel).

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A exemplo de BH, Uberaba aposta no BRT

08/04/2013-Estado de Minas

Uberaba – Solução adotada por grandes cidades para tentar melhorar a mobilidade na Copa, o transporte rápido por ônibus (BRT, na sigla de inglês) também é aposta da Prefeitura de Uberaba, no Triângulo Mineiro, para resolver problemas de trânsito na área central do município. A oitava maior cidade de Minas prepara a implantação de cinco faixas exclusivas para ônibus, em projeto semelhante ao da Avenida Pedro II, em Belo Horizonte, e pretende ser a primeira do estado em contar com o sistema. Problemas na liberação de recursos e execução de dois terminais, porém, comprometeram o cronograma. O prazo de entrega das obras já foi adiado duas vezes: previsto para dezembro de 2012 e depois para fevereiro deste ano, o BRT Leste-Oeste agora tem promessa de início de operação para julho.

A meta em Uberaba é que o BRT atraia motoristas para o sistema de transporte coletivo. Os ônibus serão maiores, mais espaçosos, com estações climatizadas e no mesmo nível de embarque. A promessa é de que os intervalos de viagens sejam entre três e cinco minutos – atualmente são, de cinco minutos a 80 minutos, no caso linhas para a zona rural. Embora terra, lama e mato ainda tomem conta das áreas dos futuros terminais, em lados opostos da Avenida Leopoldino de Oliveira, a prefeitura diz ser possível concluir a primeira fase da obra em 80 dias. O projeto foi iniciado em setembro do ano passado, na gestão do ex-prefeito Anderson Adauto (sem partido) – o atual prefeito é Paulo Piau (PMDB). Até o momento, somente as estações tubo, iniciativa idêntica à do BRT de Curitiba (PR), foram instaladas no canteiro central da avenida.

Na avaliação da prefeitura, que reconhece atrasos, as obras pendentes são simples de ser concluídas. Segundo o secretário de infraestrutura do município, José Donizete de Melo, a construção dos terminais exigiria apenas o término da montagem dos pré-moldados que darão forma à estrutura. O passo seguinte seria a instalação de faixas de separação dos BRTs na pista, eliminando pontos de conversão à esquerda, e a instalação de sensores nos semáforos, capazes de agilizar a abertura e o fechamento para a passagem dos ônibus.

Testes

"Enfrentamos imprevistos técnicos como muita chuva, remoção de rede elétrica, um caso de desapropriação numa das alças de acesso do Terminal Leste, além da drenagem da Leopoldino de Oliveira. Alguns módulos (estações tubo) tiveram problema de liberação de recursos, mas as obras já foram retomadas e pretendemos concluir tudo num prazo de 80 dias corridos", afirma o secretário. Ele insistiu que há tempo suficiente para sanar todas as pendências do primeiro corredor até julho. "Assim que o BRT estiver pronto e em operação, vamos sentir tudo e fazer os ajustes necessários. Com o primeiro corredor, teremos a expertise para fazer o segundo e o terceiro”, acrescenta.

Segundo Claudinei Nunes, superintendente de planejamento de trânsito e transporte de Uberaba, uma das metas do BRT é eliminar 60% dos 103 ônibus convencionais que hoje circulam no Centro da cidade. Após a conclusão das obras, Nunes afirma que será feita uma fase de testes de cerca de 10 dias, que simulará a operação das linhas. "Com o BRT, o passageiro poderá fazer até três integrações numa sequência de destinos num intervalo de até uma hora e meia”, calcula. Diante da possibilidade de aumento de custos, o superintendente descarta aumento da tarifa. "Pelo que estamos sentindo, vamos atender uma demanda reprimida, aumentando o número de passageiros. A tendência é a tarifa ficar mais barata”, prevê.

Um problema ainda sem solução é a travessia dos passageiros entre as estações de embarque e os ônibus. A reportagem do EM constatou que, com os veículos alinhados à calçada das estações, haverá um vão de no mínimo 30 centímetros. Os 14 ônibus da frota inicial não virão equipados com plataformas elevatórias para auxiliar a travessia. Uma alternativa, aponta uma das empresas operadoras, é adaptar os coletivos.

Ônibus

nas garagens

As duas empresas de ônibus de Uberaba cumpriram o prazo inicial de conclusão do sistema e entregaram 14 ônibus do tipo padron – com motor traseiro e capacidade para 100 pessoas –, em dezembro do ano passado. Mas a construção do terminal oeste, de responsabilidade de ambas, continua pendente. Ainda é necessário fazer terraplanagem no local, que servirá de passagem para milhares de passageiros. No terminal leste, as primeiras estruturas pré-moldadas foram erguidas no início do ano.

O fato de os ônibus estarem sem uso nas garagens não preocupa os diretores da Piracicabana Uberaba e Lider Coletivo. "O investimento foi alto e gostaríamos de que os ônibus já estivessem rodando, mas os atrasos nas obras ocorreram em decorrência de força maior. Estamos confiantes de que num curto prazo já possamos rodar”, afirma o gerente da Piracicabana, Rodrigo Oliveira. A Piracicabana investiu cerca de R$ 500 mil em cada um dos quatro BRTs que irão compor a frota da companhia. "Enquanto o corredor não fica pronto, os BRTs não servem para outra coisa. Como só tem portas de embarque em nível elevado e lado esquerdo, não dá para aplicar nas outras linhas. Ainda assim, o projeto vai ser de Primeiro Mundo”, acredita Oliveira. Por sua vez, o diretor da Lider, André Barsan, diz estar confiante no funcionamento do sistema no segundo semestre.

Raio x

O que prevê o projeto do BRT em Uberaba:

» Corredores exclusivos

Serão cinco, com extensão de até 5,9 quilômetros, em algumas das principais avenidas da cidade

» Passageiros transportados

Hoje são 68 mil passageiros transportados por dia. Meta é aumento desse número em 18% com o BRT.

» Linhas e velocidade

O BRT deve reduzir o número de linhas, de 36 para 32. A velocidade deve subir de 15km/h para 25km/h.

» Frequência (*)

Atualmente, os intervalos variam entre cinco e 80 minutos. Meta é ter intervalos de 3 a 5 minutos

» Tarifa

O bilhete custa R$ 2,90. Sistema de integração permitirá seguir a um destino pegando três ônibus em intervalo de uma hora e meia.

(*) Linhas de trajeto prolongado, como as que atendem a zona rural da cidade, continuarão tendo intervalos acima de 60 minutos.



Três perguntas para...

PAULO PIAU

PREFEITO DE UBERABA

Por que apostar no BRT?

O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba estão no entroncamento do desenvolvimento nacional. A região crescerá mais que a média mineira e brasileira. Mobilidade urbana é um problema. Entre um ponto e outro, o trânsito já demora.

Quais as razões para os atrasos nas obras?

Temos três problemas: a chuva, que afeta a conclusão da drenagem da principal avenida do primeiro corredor; uma pendência judicial envolvendo a desapropriação de uma alça do terminal leste; e a situação financeira da prefeitura. Faltam-nos R$ 3,5 milhões para construir o terminal leste, que é de responsabilidade da prefeitura. A coisa está meio paralisada, mas já foi dada uma autorização para continuarmos os dois terminais.

Como atrair o usuário de automóvel?

Com um ônibus que passa de três em três minutos e vai atingir as regiões populosas. Significa perder menos tempo no trânsito. A acessibilidade está prevista em todas as estações.