domingo, 28 de junho de 2015

Itatiaiuçu, na Grande BH, adota 'tarifa zero'

25/06/2015 - Estado de Minas

Itatiaiuçu, cidade de 9 mil habitantes, é o quarto município mineiro a optar pelo sistema. Quatro linhas vão atender a população de baixa renda a partir de 1º de julho

Bruno Freitas

Ônibus comprados pela Prefeitura custaram R$ 196,5
Ônibus comprados pela Prefeitura custaram R$ 196,5 milhões
créditos: Prefeitura de Itatiaiuçu/Divulgação
 
Em caminho oposto a Belo Horizonte, onde as empresas de ônibus alegam prejuízo acumulado de R$ 268,7 milhões nos últimos cinco anos e pedem revisão da tarifa de R$ 3,10, mais uma cidade mineira adere à tarifa zero. Até então servida apenas por ônibus intermunicipais, Itatiaiuçu, polo minerador na Grande BH, terá transporte coletivo gratuito a partir de 1º de julho. O município de 9.292 habitantes, a 70 quilômetros da capital, é o quarto de Minas Gerais a conceder o benefício que dispensa o pagamento da passagem, depois de Monte Carmelo (Triângulo Mineiro), Muzambinho (Sul de Minas) e Abaeté (Centro-Oeste) – todas cidades de pequeno porte.
 
Em Itatiaiuçu serão quatro linhas que percorrerão o perímetro urbano e interligarão distritos ao Centro, em três horários (manhã, almoço, tarde), a partir de um período inicial de testes de seis meses. A intenção do serviço, afirma o secretário de Transportes e Vias Públicas de Itatiaiuçu, Valmir Barbosa dos Santos, é atender a população de baixa renda, que trabalha e depende do transporte. Para a operação foram adquiridos quatro micro-ônibus novos de 22 lugares, equipados com câmera e elevador para portadores de necessidades especiais. Cada veículo custou aos cofres públicos R$ 196,5 mil. Os motoristas contratados finalizam a fase de treinamento e assimilação do itinerário, enquanto são demarcados os pontos de ônibus nas ruas. "Muita gente que anda de ônibus ganha salário mínimo. O planejamento é atender 100% das áreas urbana e rural", afirma Santos. Três das quatro linhas atenderão distritos de Itatiaiuçu: Pedras, Alfredo Campos, Povoado de Chaves, Ponta da Serra, Santa Terezinha, Vieiras e Pinheiros.
 
Apesar da crise econômica e a necessidade de corte de custos nas prefeituras, Santos sustenta que a tarifa zero é necessária e já constava no planejamento de mandato do prefeito Matarazo José da Silva (PV), o Dr. Matarazo, que assumiu Itatiaiuçu em janeiro. O custo estimado da tarifa zero na cidade é de R$ 52 mil mensais (1,5% da arrecadação anual do município), mesmo valor gasto pela Prefeitura de Muzambinho."Houve esse planejamento desde o início do mandato e ele segue as obras e ações nas áreas de saúde e educação. O município tem um know-how de obras muito grande e todas com dinheiro próprio", sustenta o secretário.
 
Nas outras três cidades mineiras onde há tarifa zero, a experiência, ao menos em tese, tem funcionado. Em Monte Carmelo, com cerca de 45 mil habitantes, a frota de cinco ônibus foi renovada com veículos seminovos há cerca de dois anos. A diminuição do custo de manutenção (cerca de 3% do orçamento) possibilitou a criação de uma quinta linha para atendimento ao câmpus da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Os ônibus circulam em quatro faixas de horário (das 6h às 8h30, das 11h às 14h, das 17h às 19h30 e das 22h à 00h30), enquanto a linha de estudantes da UFU funciona durante todo o dia (das 6h às 18h30). "Como os ônibus mais novos gastam menos, o custo de manutenção diminuiu. Conseguimos colocar outra linha com orçamento próximo", conta o secretário de Obras e Transportes, Divino Batista Ramos.
 
DEMANDA NECESSÁRIA
Embora afirme estar com o caixa no vermelho, o prefeito de Muzambinho, Ivan de Freitas (PSDC), diz manter a tarifa zero por "transportar pessoas que realmente precisam". No município de pouco mais de 20 mil habitantes, dois ônibus da prefeitura percorrem duas linhas com quatro horários diários cada. "Continuamos com o serviço enquanto aguentarmos. Todas as prefeituras estão quebradas. Por menor que fosse a tarifa, o ônus seria grande. Entendo que esse deveria ser um custo do usuário, mas, em Muzambinho, o usuário não pode pagar", sustenta Freitas.
 
A gratuidade também se mantém em Abaeté, com cerca de 22 mil habitantes. A cidade conta com apenas uma linha entre os bairros São João e São Pedro, que opera de segunda a sábado, das 5h45 às 19h, com dois coletivos.
 
Além das cidades mineiras, também há gratuidades no transporte de Agudos e Potirendaba, no interior de São Paulo, Porto Real e Maricá (RJ), e Ivaporã (PR).
 
LINHAS DISPONIBILIZADAS 
• Pedras (zona rural) x Alfredo Campos x Rio São João x Povoado de Chaves x Ponta da Serra x Centro
• Santa Terezinha (zona rural) x Pio XII x Centro
• São Francisco x Robert Kennedy x Centro x São Francisco
• Vieiras (zona rural) x Pinheiros x Centro

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