quinta-feira, 14 de março de 2013

Prefeitura muda discurso e já não se compromete com prazo para conclusão do BRT

14/03/2013 - Estado de Minas

Com orçamento acima do planejado, atrasos podem comprometer a entrega plena do sistema de transporte rápido por ônibus (BRT, na sigla em inglês) de Belo Horizonte antes da virada do ano. Representantes da prefeitura presentes ontem a audiência pública na Câmara Municipal tentaram demonstrar que a instalação da principal aposta do transporte público para a Copa do Mundo está sob controle, mas não se comprometeram com prazos. O próprio secretário municipal de Obras e Infraestrutura, José Lauro Nogueira Terror, evitou ser incisivo: "Temos grande propensão de, ao fim do ano, termos as obras completadas". Há uma semana, o prefeito Marcio Lacerda havia previsto a conclusão para o fim de 2013, o que já representava um atraso, pois inicialmente esperava-se contar com o modelo já para a Copa das Confederações, em junho.

A reunião de emergência na Câmara foi marcada a pedido do vereador Tarcísio Caixeta (PT) e ocorreu no dia em que o Estado de Minas mostrou que a lentidão das obras levou empresas de transporte a adiar a negociação do primeiro pacote de ônibus para o novo sistema. Na audiência de ontem, na Comissão de Orçamento e Finanças, o presidente da BHTrans, Ramon Victor César, afirmou que a compra dos veículos deve ocorrer no segundo semestre.

[SAIBAMAIS] O descompasso no BRT pode afetar também o orçamento. O gasto com o sistema foi previsto em R$ 1 bilhão, mas na audiência o secretário de Obras admitiu que pode haver variação de 1,5%. A porcentagem representa nada menos que R$ 22,5 milhões, dinheiro que daria para construir um dos três terminais em Santa Luzia, na Grande BH, com sobra de R$ 500 mil.

O atraso nas obras foi justificado pelos representantes da PBH como resultado de dificuldades para liberação de verbas para desapropriações e do desconhecimento de terrenos por onde as vias exclusivas para ônibus deverão passar. Na área central, apesar de o sistema ser de menor extensão, a obra se mostrou um desafio ainda maior que os longos corredores, como o da Avenida Cristiano Machado. "O subsolo e quase a superfície do solo das avenidas Santos Dumont e Paraná eram mais desconhecidos do que imaginávamos. A cidade não dispõe dos cadastros de todas as redes subterrâneas na área", afirmou José Lauro.

Na Avenida Santos Dumont foi necessário parar as máquinas assim que os operários começaram a encontrar obstáculos, como adutoras de água, dutos de drenagem pluvial e cabeamento de luz, entre outros. "Reduzimos a velocidade quase ao ritmo de uma escavação arqueológica", disse o secretário. O aprendizado serviu para que as intervenções na Avenida Paraná não fossem tão demoradas.

Ainda segundo o secretário de obras, "nenhuma das empresas parou de trabalhar", mas os contratempos criaram um efeito cascata que atrasou outras etapas. "Não pudemos instalar as 41 estações do BRT, porque como são módulos refinados, com vidros e equipamento eletrônico moderno, não poderiam dividir espaço com as obras pesadas", argumentou. Os vereadores marcaram uma visita aos canteiros de obras para 2 de abril, a fim de verificar a evolução das intervenções.

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