quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dada a largada para o primeiro trecho de BRT na capital mineira

21/10/2010 - Estado de Minas

A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) solicitou ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam) a concessão da licença prévia para iniciar as obras dos corredores rápidos de ônibus (BRT, de bus rapid transit, em inglês). Maior aposta da prefeitura para desafogar o caótico trânsito de Belo Horizonte, preparando a cidade para sediar a Copa do Mundo de 2014, os tão sonhados corredores começam a se tornar realidade e tudo indica que o primeiro ramal a sair do papel será o de 12 quilômetros, que passará pelas avenidas Pedro II e Carlos Luz (Catalão), ligando o Centro às regiões Noroeste e Pampulha. Comerciantes e proprietários de imóveis, no entanto, não sabem se serão desapropriados ou poderão permanecer onde estão.

O primeiro passo da Sudecap foi encaminhar à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, à qual o Comam é subordinado, o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), um resumo das intervenções previstas para construção do ramal Pedro II/Catalão. Embora o projeto executivo ainda não esteja pronto, o que deve ocorrer em março de 2011, o relatório aponta a necessidade de adequações do Viaduto Sarah Kubitschek, que liga a Pedro II à Avenida Olegário Maciel, no Centro, e a construção de outro, na saída da trincheira do elevado Castelo Branco, no Bairro Barro Preto, até a Pedro II.

Os 12 quilômetros do ramal terão pavimento de concreto e, ao longo desse techo, serão construídas 17 estações do BRT (oito na Pedro II, seis na Catalão, uma na Avenida Coronel Oscar Paschoal e duas na Antônio Carlos). Além disso, haverá duas estações de integração das linhas de ônibus gerenciadas pela BHTrans e as metropolitanas, do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), que serão construídas na Pedro II com o Anel Rodoviário e próximo ao prédio da Usiminas e câmpus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na Catalão.

O diferencial do BRT é que, além das pistas exclusivas para ônibus articulados, que transportam até 160 pessoas, as passagens são pagas nas estações, antes do embarque do passageiro, como no metrô. “As obras do BRT têm como principal objetivo a criação de um corredor que otimize a circulação, velocidade e funcionamento dos ônibus, visando melhorar a qualidade e eficiência do sistema de transporte”, destacam técnicos da Sudecap no Rima. No ramal Pedro II/Catalão, haverá uma faixa exclusiva para o transporte coletivo rodoviário em cada sentido, e duas para os demais veículos.

Temor de comerciantes - A largura total das avenidas será de 27 metros onde não houver estações e 37 metros nos pontos onde elas serão construídas. Calçadas serão alargadas, faixas de pedestres ampliadas, os corredores ganharão novo mobiliário urbano e iluminação. Para isso, imóveis terão que ser derrubados, o que está causando temor entre os proprietários e comerciantes com pontos alugados. Dono de uma loja de revestimentos, que funciona na Pedro II desde 1993, Luiz Noronha diz que todas as informações ventiladas sobre o ramal não passam de especulações. “Falam que vão desapropriar só um lado da avenida, depois que serão dos dois lados. O certo é que muitos comerciantes já saíram daqui e outros procuram novos pontos.”

De acordo com o Rima, as desapropriações e remoções de edificações serão feitas apenas nos trechos das duas avenidas onde houver estações. A Sudecap informou que, somente depois da conclusão do projeto executivo, será possível apontar quantas pessoas serão afetadas. Antes que as intervenções físicas comecem, além da licença prévia, o Comam terá que conceder a licença de implantação, prevista para março de 2011 no cronograma da Sudecap. As obras estão marcadas para ser iniciadas em julho, e a expectativa é de que o ramal seja inaugurado em julho de 2013, antes da Copa das Confederações.

Além do ramal Pedro II/Catalão, orçado em R$ 231 milhões, a prefeitura quer construir mais quatro trechos de BRT em BH antes da Copa: Antônio Carlos/Pedro I; Amazonas; e Cristiano Machado e Nossa Senhora do Carmo. O Comam ainda não recebeu pedido de licença prévia para esses ramais.

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