domingo, 24 de outubro de 2010

BHTrans prepara edital para criar corredor rápido na região Centro-Sul

07/04/2010 - Estado de Minas - Junia Oliveira 

As faixas exclusivas de coletivos não foram suficientes para aliviar o tráfego intenso de veículos no complexo em direção ao Bairro Belvedere - (Sidney Lopes/EM/D.A Press)
As faixas exclusivas de coletivos não foram suficientes para aliviar o tráfego intenso de veículos no complexo em direção ao Bairro Belvedere

Alternativas de transporte público para atender um dos corredores mais movimentados de Belo Horizonte, a Avenida Nossa Senhora do Carmo, na Região Centro-Sul da capital, estão perto de serem conhecidas. A BHTrans confirmou terça-feira que está em curso estudo para verificar as melhores opções para a via. A empresa está preparando um edital de licitação para projeto executivo com o objetivo de apontar a melhor solução: corredores rápidos de ônibus (BRT-Bus Rapid Transit); implantação de veículos leves sobre trilhos (VLT), nome moderno para um formato de bonde mais complexo; ou o monotrilho (meio ferroviário sobre trilhos suspensos por pilares).

De acordo com o diretor de Planejamento da BHTrans, Célio Freitas, a expectativa é de que o edital seja publicado até maio. O vencedor da licitação será contratado em julho e deverá começar os trabalhos em agosto. O prazo para a conclusão da avaliação é de um ano. No estudo, será verificado também o início e o fim do ramal – se o novo meio de transporte ligaria o Centro de BH até o Belvedere, também na Região Centro-Sul, ou se teria início a partir da Savassi. A escolha será feita segundo a viabilidade técnica e econômica.

“A Região Sul tem a maior taxa de motorização, o que significa mais usuários de automóveis. Temos de dar uma alternativa de transporte coletivo à área, senão as ruas ficarão todas saturadas. É preciso uma alternativa de qualidade para essa região. Não podemos deixá-la do jeito que está”, ressalta Célio Freitas.

Conforto

O coordenador do Núcleo de Transportes (Nucletrans) da Escola de Engenharia Universidade Federal de Minas Gerais, Ronaldo Guimarães Gouvêa, vê com ressalvas a implantação de um modelo alternativo na Avenida Nossa Senhora do Carmo. Para o especialista em transporte e trânsito, medidas mais estruturantes com a finalidade de criar um sistema com maior capacidade deve ser centralizada nos principais corredores de BH, como as avenidas Antônio Carlos, Cristiano Machado, Pedro II e Amazonas. “Na Nossa Senhora do Carmo, algumas medidas são bem-vindas, mas não há demanda de um investimento mais radical, comparativamente a outros corredores”, diz.

Ele defende projetos operacionais com a prioridade para a circulação de transporte público a exemplo do que foi feito no início da Nossa Senhora do Carmo, como a criação de faixas exclusivas e melhoria dos abrigos para passageiros. “Fazer intervenções em área construída é complicado, mas valeria o esforço da BHTrans para dar um tratamento com conforto a quem enfrenta o trânsito na Savassi. Isso não é desculpa para deixar o metrô em segundo plano. Outras soluções são bem-vindas, mas são paliativas. As pessoas não estão pensando no custo que a cidade está pagando por não ter o metrô. Política pública não pode pensar em viabilidade econômica. Transporte tem de ser pensado como política estratégica”, destaca.

Copa do Mundo

A prefeitura da capital estuda implantar o BRT em sete vias da capital. A medida é um dos pontos de melhoria na mobilidade urbana para atender as exigências da Fifa para a Copa do Mundo de 2014. Além da Nossa Senhora do Carmo, a adaptação do transporte coletivo nos moldes do chamado “trem sobre rodas” é estudada para ser implantada nas avenidas Pedro I e Antônio Carlos (que constituiriam um ramal), Cristiano Machado, Carlos Luz e Pedro II (linha conjunta) e Amazonas.

Mas, tanto a Nossa Senhora do Carmo quanto a Amazonas terão de esperar. Até agora, somente os outros corredores têm dinheiro assegurado. Por meio de uma linha de crédito do governo federal para obras de mobilidade nas 12 cidades-sede da Copa, a Caixa Econômica Federal vai liberar R$ 1 bilhão para a implantação do BRT na Antônio Carlos, Pedro I, Cristiano Machado e Pedro II-Carlos Luz e adaptação de vias no Centro. O diretor de Planejamento da BHTrans, Célio Freitas, informou que a PBH vai buscar recursos na segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ou outra forma de financiamento.

Em fevereiro, começaram os estudos para o ramal Antônio Carlos e Pedro I. Concluídos os projetos, será contratada empreiteira para execução das obras. Em março, a BHTrans abriu concorrência para contratar empresa de engenharia para prestar os serviços de consultoria especializada para implantação do BRT na Cristiano Machado. As propostas foram abertas semana passada. Depois da seleção, o estudo deverá ser entregue em nove meses. A expectativa da prefeitura é de que o contrato seja assinado em maio. Já os envelopes dos interessados no projeto da Pedro II-Carlos Luz serão abertos terça-feira que vem.

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